domingo, 21 de outubro de 2012

MAIS-VALIA

Hoje vamos abordar um tema que pode mudar sua visão sobre o seu trabalho, principalmente a visão daquelas pessoas que vem seu emprego como sendo algo bom feito pelo dono da empresa para as pessoas. Já ouvi pessoas dizendo a seguinte frase: “Você tem que agradecer seu patrão pelo trabalho que você tem.” Será que precisamos realmente ser gratos ou será que não seriam os patrões que deveriam ser gratos a nós trabalhadores?

Você já ouviu falar na MAIS-VALIA? É bem provável que não, afinal de contas, eu mesma só tive conhecimento de tal termo quando iniciei a graduação em Pedagogia na UNIOESTE.
Karl Marx, economista, filosofo e socialista alemão viveu na Alemanha do século XIX, e explicou o funcionamento do capitalismo, sistema de produção no qual vivemos atualmente. Como se sabe (ou não) o capitalismo se caracteriza pela exploração da mão de obra (força de trabalho) e acumulação de capital (riqueza).

Um dos meios de exploração da força de trabalho de forma a acumular riqueza para o capitalista, é a mais-valia.

O termo mais-valia se refere ao valor do trabalho que não é pago ao trabalhador. Vamos usar um exemplo para que você possa compreender o que é isso.
Imagine uma indústria de sapatos, onde trabalhem na produção o número de 500 empregados. Cada trabalhador recebe um salário de R$ 800,00 (salário mínimo + vale transporte + auxilio alimentação). Cada par de sapato tem um custo de produção de R$ 50,00 (energia elétrica, maquinário, couro, cola, etc), e é comercializado por R$ 300,00, ou seja, o lucro sobre o produto é de R$ 250,00. Se o lucro sobre cada par de sapato tem um lucro de R$ 250,00, quantos pares precisam ser produzidos por um único trabalhador para pagar seu salário? 4 pares (R$ 250,00 x 4 = R$ 1.000,00 – sobram ainda R$ 200,00). Para pagar o salário dos 500 empregados precisam ser produzidos quantos pares de sapato? Ora, 500 trabalhadores com salários de R$ 800,00 dá um total de R$ 400.000,00. Esse valor dividido por R$ 250,00, que é lucro sobre cada par de sapato produzido, resulta em 1.600 pares a serem produzidos para cobrir os custos dos salários de todos os trabalhadores. Para alcançar esses 1.600 pares produzidos seria preciso que cada trabalhador produzisse 3,2 pares, ou seja, de 3 à 4 pares por trabalhador. Agora, com base nesses dados, imaginemos que por dia, cada trabalhador produza um total de 50 pares de sapatos.

Prepare-se, pois aqui você vai romper com sua ideia de que o dono da empresa é um “anjo” que dá trabalho digno às pessoas.

Se cada trabalhador produz 50 pares por dia, então por dia são produzidos 2.500 pares de sapatos. Em um mês cada trabalhador trabalha 25 dias, o que resulta em um total de 62.500 pares de sapatos produzidos por mês. Faça as contas: 62.500 pares de sapatos lucram para a empresa R$ 15.625.000,00 (quinze milhões seiscentos e vinte e cinco mil reais)! Quanto desse lucro será necessário para pagar os salários dos 500 trabalhadores? Simples: R$ 800,00 para cada um dos 500 empregados, soma um total de R$ 400.000,00.

Agora pense em qual é o valor que sobra para o capitalista, o dono da fábrica de sapatos: R$ 15.625.000,00 (lucro bruto do mês) – R$ 400.000,00 (salários dos empregados) = R$ 15.225.000,00. Você vai notar que o lucro dele quase não mudou depois de pagar os funcionários.

Você ainda pode estar pensando: “Mas o dono da fábrica tem que pagar os impostos sobre os trabalhadores, que tem carteira assinada”. Ok. O imposto será de, em média, mais R$ 800,00 por trabalhador, então vamos subtrair mais R$ 400.000,00 desse lucro de R$ 15.225.000,00, vão sobrar ainda R$ 14.825.000,00 para o capitalista.

Então onde está a mais-valia? Está na sobra de capital produzido pelo trabalhador. Pois seu eu sou um trabalhador que recebe R$ 800,00 por mês, e preciso produzir somente 4 pares de sapatos para custear meu salário (com sobras) e faço 50 pares por dia, isso quer dizer que já paguei trabalhei a mais do que está valendo minha força de trabalho.

Segundo Marx, é aí que está o fator produtor das desigualdades sociais existentes no capitalismo. Pois o trabalhador precisa comercializar sua força de trabalho, de modo a garantir sua subsistência, mas está tem um valor muito baixo comparado aos lucros do capitalista. O salário do trabalhador acaba sendo suficiente para ele pagar suas contas (água, luz, etc) e garantir a alimentação de sua família.

E agora, quem você acha que tem que agradecer à quem? Será mesmo que nós, trabalhadores, temos que ser gratos a nosso patrão pelo salário e pelo emprego que temos? Ou será que é nosso patrão que tem que agradecer a nós, trabalhadores, por estarmos proporcionando seus altos lucros?

Reflita sobre seu trabalho, você perceberá que nada é como os fortes querem que nós vejamos.




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